Arquivo de poema

Palavras

Posted in Palavras with tags , , on Setembro 25, 2008 by soniapessoa

“Jamais existirá uma pessoa que possua algo além dos seus próprios pensamentos.
Nem as pessoas, nem os lugares, nem as coisas, podem ser possuídos por muito tempo.
Percorremos um troço do caminho com eles, mas, mais cedo ou mais tarde, todos teremos de tomar posse dos nossos verdadeiros bens – as nossas experiências de vida e pensamentos – e seguir caminho por solitárias veredas”

Richard Bach

surrupiado do cantinho da Cristina, e lá lemo-lo ao som desta música que fica também aqui:

Palavras

Posted in Palavras with tags , , on Agosto 23, 2008 by soniapessoa

Um jantar à luz das velas.

Uma mesa, duas cadeiras,

uma vela ao centro,

tudo a condizer,

milimetricamente colocado,

uma esperança, um desejo arrumado,

uma ilusão, desespero…

Fico sentada,

a luz apagada, a porta fechada,

o silêncio na rua,

a escuridão lá fora…

alguém que foi embora,

sem nunca ter chegado a estar…

Um jantar à luz das velas,

cansado de esperar.

 

Foto de Rodrigo Mizumoto

David Fonseca (clicar em baixo)

http://www.youtube.com/watch?v=rF6NqrbiyPM

Palavras

Posted in Palavras with tags , , on Junho 23, 2008 by soniapessoa

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa

Josh Groban (clicar em baixo)

http://www.youtube.com/watch?v=ls7ila3srzI

Aquilo por que luto, com palavras e histórias…

Posted in Uncategorized with tags , , , , on Junho 18, 2008 by soniapessoa

 

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.

 

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

 

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

 

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

 

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

 

António Gedeão

 

Poema retirado de http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt

Imagem retirada de http://passagempelavida.blogspot.com

Devagar, devagarinho… assim passa a vida

Posted in Uncategorized with tags , , on Junho 14, 2008 by soniapessoa

A vida passa

às vezes depressa, outras devagar,

mas passa…

Passa por nós e deixa sinais,

sussura baixinho, arrepia-nos a pele.

Dá-nos momentos bons, dá-nos momentos maus,

dá-nos a vida…

Deixa-nos cair

para nos levantar a seguir,

e vai passando, assim, a vida.´

Às vezes em nós, outras ao nosso lado,

às vezes por dentro, às vezes por fora,

para que possamos admirá-la

no máximo da sua virtude,

aprender com ela,

dar valor ao que temos,

ao que tivemos, ao que perdemos,

ao que iremos ainda um dia conquistar.

Assim passa a vida,

devagar, devagarinho,

na nossa, sempre, pressa de viver.

Maria João e Mário Laginha (clicar em baixo)                                  http://www.youtube.com/watch?v=KAggWL7WuGo

Palavras que nos fazem sonhar

Posted in Uncategorized with tags , , , , on Maio 30, 2008 by soniapessoa

 

“Pus o meu sonho num navio

E o navio em cima do mar;

Depois abri o mar com as mãos,

Para o meu sonho naufragar.

 

Minhas mãos ainda estão molhadas

Do azul das ondas entreabertas,

E a cor que escorre dos meus dedos

Colore as areias desertas.

 

O vento vem vindo de longe,

A noite se curva de frio;

Debaixo da água vai morrendo

Meu sonho dentro de um navio…

 

Chorarei quanto for preciso,

Para fazer com que o mar cresça,

E o meu navio chegue ao fundo

E o meu sonho desapareça.

 

Depois, tudo estará perfeito:

Praia lisa, águas ordenadas,

Meus olhos secos como pedras

E as minhas duas mãos quebradas.”

 

Cecília Meireles

 Image1.jpg

 Manuel Freire (clicar em baixo)                                                http://www.youtube.com/watch?v=iqUI5NyDJmQ       

Parabéns, meu filho!

Posted in Dedicatórias with tags , , on Maio 18, 2008 by soniapessoa

Amar é… ter-te

… ter-te tido há dez anos atrás,

e nunca mais a vida voltar a ser igual,

porque me enches a alma,

me enches o coração, e

não me deixas nunca sentir só…

Amar é… ter-te…

num abraço, num beijo, num sorriso,

quando me enxugas as lágrimas e

me fazes sorrir quando menos me apetece.

Quando me fazes sentir a mais bela,

quando adormeces no meu olhar

e acordas para me lembrar

que por te ter, por te amar, a vida será sempre bela. 

 

Mães… a minha, a tua, eu própria…

Posted in Dedicatórias with tags , , , on Maio 4, 2008 by soniapessoa

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

Sebastião da Gama

 

 

Ser Poeta…

Posted in Uncategorized with tags , , on Maio 1, 2008 by soniapessoa

O poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade…
E diz assim: “É preciso saber olhar…”
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos…
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás…
E perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha…
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…
E acha que tudo é importante…
E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim…
E reparou que os homens estavam tristes…
E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…”

Sebastião da Gama

flower.jpg

Luis Represas (clicar em baixo)                                                              http://www.youtube.com/watch?v=nTnAWyrjDFU