Arquivo de mulher

As vezes que desejei ser homem

Posted in Uncategorized with tags , on Agosto 25, 2008 by soniapessoa

Todas nós mulheres já desejamos pelo menos uma vez na vida ser homens… bem, eu já desejei pelo menos uma boa meia dúzia delas, e isto contado assim por alto.

Comecemos pelo lado bom. É lindo ser mulher! Não menos verdade do que a minha afirmação anterior. Depois de pesquisar no Google o que é ser mulher, entre várias, escolhi uma definição: “Ser mulher é estar em mil lugares ao mesmo tempo de uma só vez, é fazer mil papéis ao mesmo tempo, é ser forte e fingir que é frágil para ter um carinho”. Esta é uma entre muitas, gostei dela. Mas, a coisa começa a descambar logo em pequenas quando nos enfiam naqueles vestidos glamourosos e nos pregam um laçarote na cabeça… a coisa começa logo aqui a ficar deprimente!… mas a vida corre, corre bem, até ao dia em que entram, sem pedir licença, no nosso dicionário palavras como tampões, pensos higiénicos e afins, aqui a coisa descamba vertiginosamente, mas o tempo vence-nos e acabamos por perceber que “se não podes com ele junta-te a ele” e lá convivemos uma vez por mês da melhor forma possivel com esta benção que Deus nos deu! Menos mal que nem tudo são espinhos, na fase da adolescência eles têm tantas borbulhas como nós…

…mas claro, que nem tudo são rosas e este par de prateleiras que se me alojou aqui na zona frontal, teima em incomodar, e a palavra soutien começa a deixar-me à beira de um ataque de nervos… É nesta altura que os pais, leia-se sexo masculino, se armam em defensores da pátria, esquecem as borradas que fizeram nesta idade (ou porque não esquecem!), e começam a controlar-nos as saídas, impõem horas de chegada e atrelam a nós o irmão mais novo, quando este tem a pouca sorte de existir… é nesta altura que começamos a ser gente, a bater o pé e a fazer reivindicações, valha-nos ao menos isso! Conquistado o lugar ao sol, por vertigem do amor e continuação da espécie, damos de cara com o irreversível que é uma gravidez… digo irreversível, porque me lembro bem, ao fim de dozes horas de terror, me virar para a enfermeira e lhe dizer que não queria mais, que me deixasse ir embora, que ficava para outra vez!!… escusado será dizer que ninguém me deu ouvidos e a rapariga acabou por sair pelo mesmo sítio por onde entrou nove meses antes… (ressalve-se que foi o momento em que perdoei a Deus tudo o que tinha passado até ali). É claro que sobre esta experiência não chegariam posts para contar a forma estóica como se sobrevive a uma gravidez (e vão duas!), mas isso é melhor esquecer já que me deprime consideravelmente…

E a vida corre, nem tudo é bom, nem tudo é mau, mas corre… é mais ou menos nesta altura que me encontro e, porque nunca fui muito dada a certas feminilidades para as quais não tenho grande pachorra, resolvi que aquelas peles a mais que se alojam nos nossos calcanhares, e tão feiinhas ficam na sandália de verão, seriam retiradas por mim mesma poupando a chatérrima ida à pedicure… ora se elas conseguem, depois de aguentar as adversidades da vida inerentes à condição feminina, então eu também consigo!!… foi aqui que arranquei um bife ao calcanhar do meu tão gracioso pézinho e desejei ser homem… pela enésima vez nesta vida!