O que fazer?

O R. anda na primeira classe, na escola onde estou a trabalhar. O R. tem seis aninhos. O R. é um menino que gosta de brincar, nunca se mete em confusões, nem dá muito nas vistas. A mãe do R. morreu ontem. E ele não sabe.

Eu sabia que a mãe do R. estava muito doente, com um cancro, e o pior era esperado, por muito que o quiséssemos adiar. Quando hoje cheguei à escola disseram-me  que a mãe do R. tinha morrido, que o pai o tinha ido levar à escola como todos os dias, mas estava de rastos, muito embora o disfarçasse para o menino não se aperceber. O R. não sabe que a mãe morreu, o pai não lho quer dizer. Como o menino estava habituado a que a mãe estivesse longos períodos no hospital, o pai acha que pode poupá-lo para já a esse sofrimento e só lhe quer dar a notícia daqui a uns meses. Fiquei baralhada… claro que, pudéssemos nós poupá-lo a esse sofrimento, não hesitaríamos em fazer o mesmo, mas uns meses, um ano, como o próprio pai falou, não será demais? Vai aquela criança estar um ano sem ver a mãe e de repente dizerem-lhe que a mãe morreu? Não é um sofrimento igual, ou pior? Fiquei baralhada, na dúvida, mas acima de tudo triste… muito triste, pelo R., pelo pai, e pela irmã de três aninhos que o R. tem.

Afinal, qual é a melhor opção? Dizer a verdade já? Ou deixar passar uns meses?

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15 Respostas to “O que fazer?”

  1. Olá

    É uma situação muito complicada, confesso que não sei o que faria… não sei mesmo. À primeira vista parece que o mais óbvio é que se conte à criança, de uma forma ou outra ela vai ter que saber e vai sofrer… mas eu entendo o pai…e é preciso valor para se contar algo assim, será que quando perdemos a pessoa que amamos temos valor par algo?

    Beijinho amiga
    Jorge

  2. Sem dúvida é delicado. Não é só o bem estar da criança que está em causa, é um assunto familiar. Penso que aqui, claramente, a decisão é do pai. Pelo que relatou, ele parece ter em vista o melhor interesse do filho, e seja ou não uma visão divergente de algumas outras, ele é o pai. Se o bem estar da criança não estiver em causa, penso que o pai deve ser apoiado e aconselhado e a sua decisão respeitada. Afinal, o que faríamos no seu lugar, não sabemos.

    • A minha dúvida é mesmo essa, Pedro, o bem estar da criança pode vir a estar em causa, apesar das melhores intenções. Na escola há crianças que sabem, e vir a sabê-lo por uma delas é um grande risco. Abraço

  3. Como psicóloga, sem dúvida que é dizer já. Ha formas e formas de dizer à criança, e uma delas é explicar que a mãe já estava muito doente, que os médicos tentaram fazer tudo, mas que a mãe tinha muitas dores e não conseguiu ficar boa. Depois, se se recorre à ideia que a mãe foi viver para o Céu, ter com Jesus ou com os anjos, que foi para uma estrelinha ou outra coisa qualquer, já é uma decisão da família e de quem conhece melhor a criança.
    O pai não vai conseguir esconder para sempre, a família também não, e um dia alguém (até vizinhos ou conhecidos) podem descair-se, e depois como é? Não será esse um sofrimento maior, já que a criança vai entender que lhe mentiram e esconderam algo?
    Preparem-se, é claro, para possíveis comportamentos diferentes do habitual (alheamento, agressividade) e até descida de rendimento. Mas ele tem de fazer o luto dele, e quanto mais cedo, melhor…
    Beijinhos

  4. Estou de acordo com a Marta porque é o mais lógico nessa situação.
    Já vivenciei uma situação em que não se quiz dizer à pessoa (marido) que a esposa faleceu, por ele se apresentar doente, naquela altura. O senhor em questão veio a saber por uma criança, que sem maldade estava conversando com outra e não se percebeu que o senhor estava ouvindo. Resultado, o senhor ficou tão doente com o choque recebido, tão doente “da alma” que somente viveu 3 meses.
    Se o menino vir a saber através de pessoas que não são da família vai ficar muito revoltado e agressivo contra o pai, sem dúvida.

  5. Que história triste, Rosa! Nunca mais nos encontramos no mess… está tudo bem contigo? Dá notícias. Beijinhos

  6. Penso que o pai deve estar a arranjar forma de lho dizer,mas nitidamente penso que nestas situações precisamos de ajuda externa para enfrentar estas situações.
    bj

    • soniapessoa Says:

      Olá Pedro, estás bem? Há quanto tempo… em relação ao post, e como respondi no come´ntário da maria moura, o pai, a conselho do psicólogo já falou com o menino. Ele chorou muito, mas nos últimos dias, lá na escola, já o vemos a sorrir. Beijo grande para ti

  7. maria moura Says:

    Olá Sónia
    Triste história esta. Eu compreendo perfeitamente o pai. Agora pergunto: o menino sabia que a mãe estava doente? Não me parece. De qualquer maneira na minha opinião, o pai deveria contar agora ao filho, o que aconteceu à mãe. A criança de 6 anos já é muito consciente, e quanto mais tarde, pior. Vai ficar triste porque o pai omitiu a morte da mãe e mentiu, adiando a notícia. Por outro lado parece-me que a dor para o pai assim é a dobrar.
    bj
    mmoura

    • soniapessoa Says:

      Olá Maria, que bom ver-te por aqui. é na verdade uma história muito triste, mas com desenvolvimentos. O pai do menino, a conselho do psicólogo, já falou com ele e já lhe contou que a mãe morreu. Ao que sei chorou bastante, como é natural, no dia seguinte foi para a escola e estava um bocadinho tristonho, mas nos últimos dias continua a brincar como sempre e consaeguimos vê-lo a sorrir. Agora o tempo encarregar-se-á do resto… beijinhos e volta sempre

  8. mariamoura Says:

    Sónia olá
    Obrigada pelo convite, sinto-me honrada. Na verdade dei rapidamente uma “vista de olhos” ao blog que me parece muito, mas mesmo muito interessante. Tenho que conseguir tempo para calmamente lêr o que por aqui se escreve.
    Um beijinho
    mmoura

  9. Pessoinha Says:

    Oi amiga!Pobres crianças que ficaram sem mãe tão cedo. às vezes a vida prega cada partida! Eu defendo que se deve contar às crianças a verdade mas com cuidado., não assim de chofre. Contar com uma libguagem que eles entendam. Pode usar-se a tal história da estrelinha do céu, ou que foi para ao pé de jesus, sei lá. Agora esconder das crianças jamais! Po~e-te na pele das crianças… Imagina que até um coleguinha lhe diz que a mãe deles morreu. Como te vais sentir? Revoltada1 Ninguém te disse que uma das pessoas que mais amas na vida morreu. E essa revolta até pode ser dirigida ao pai porque “ele” não lhe disse que a mãe tinha partido. E claro que há muitos mais efeitos colaterais mas fico por aqui.
    Enfim, é uma situação muito dificil mas é preferível dizer a verdade.

    Beijos amiga!

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