“Estás bem?”

Se forem ao cantinho da Cristina e lerem os últimos posts, colocados por ela, facilmente perceberão que naquele cantinho se sofre, sofre-se muito pela perda de um amigo. Porque aqui se fazem amigos, amigos para a vida atrevo-me a dizer e quero muito acreditar, tenho tentado dar algum apoio à Cristina para ultrapassar este momento de dor.

Mas quando nos envolvemos, quando entramos num blog, de corpo e alma, quando comentamos para fazer a diferença, e não apenas comentar por comentar, não ficamos indiferentes ao que por lá se passa, e, por isso, o mau momento que a Cristina está a passar deixou-me a pensar sobre um dos maiores problemas sociais a que esta sociedade consumista de aparências do século XXI nos remete… a solidão e a dificuldade que temos em prestar atenção ao que às vezes está mesmo à nossa frente.

O amigo que a Cristina perdeu não morreu de doença, morreu porque escolheu morrer. De tantas escolhas que fazemos na vida, morrer foi a última que fez. Diz a Cristina que ninguém esperava, que este jovem de 30 anos era a alegria em pessoa, tinha um sorriso contagiante e a vida corria-lhe bem… ou não tão bem… os motivos que o levaram a tal acto de coragem, desespero, e outros adjectivos, pouco importa. Nesta altura todos os amigos e familia se perguntam como não perceberam os sinais, como foi possível não terem prestado atenção… a Cristina sente o mesmo peso da culpa, mas como eu lhe disse, às vezes não há sinais, não há pedidos de ajuda… e se, por algum motivo, ela não estava atenta terá que se perdoar por isso.

A verdade é que fiquei a pensar nisso, na falta de tempo em que vivemos para prestar atenção a quem ao nosso lado sofre… não basta perguntar “estás bem?”, é preciso ficar o tempo suficiente para ouvir se esse alguém está ou não bem…

11 Respostas to ““Estás bem?””

  1. Depois de ler este texto intitulado “Estás bem?”, eu só fiquei bem depois de ter ido ao cantinho da Cristina.
    Acontece que fui, saí, voltei aqui e parece que ainda lá estou.
    Abraços

  2. soniapessoa Says:

    Armindo, custa a acreditar não é, estas coisas não deviam acontecer, as pessoas de quem gostamos não deviam sofrer… faz-nos pensar, ficar alerta… ganhar coragem e perder a vergonha de pedir ajuda quando estamos mal…
    beijo

  3. Sônia, infelizmente tenho também uma experiência com o suicídio. Foi, ou melhor é uma experiência traumática que me acompanha até hoje. Aos 12anos o meu avô suicidou-se e eu fui a 3a pessoa a vê-lo ali deitado, no pátio, depois de terem vindo bater à porta de casa e dizerem secamente: “telefona ao teu pai, porque o teu avô matou-se”. Claro que fui ver o que se tinha passado.. Depois sim tive que telefonar a confirmar a notícia. Já passaram 13 anos e aquela imagem nao me sai da cabeça.. Vou ao mais pequenos pormenores. Uma pergunta que ficou em nós é o tal “porquê?”, mas nao há resposta para isso. As pessoas muitas vezes nao querem ajuda, querem apenas fugir do presente.. A vida nunca é como pensamos que é, porque há muito mais dentro de nós do que mostramos.. E depois da companhia, há sempre o momento da solidão. Nao podemos acompanhar alguém 24 horas por dia…

    Mas o pior de tudo o que aprendi com estas vivências é que aprendi que há uma saída para os momentos difíceis, por muito cobarde que seja essa saída. Já pensei muitas vezes em fazê-lo, mas dentro desta cobardia também tem que haver alguma coragem para enfrentar o momento final, e essa nunca tive. Alguns amigos sabem destes meus delírios, sabem que penso nisso. Nao é constante, claro, existem momentos altos e baixos na vida, e com eles o pensamento, a sensação… Se algum dia acontecer, posso deixar a certeza a todos, que nunca poderiam fazer nada para mudarem os factos, porque é uma cobardia intrinseca em nós.

  4. soniapessoa Says:

    Cátia, se há coisa que aprendi com o decorrer da vida é que o suicídio não é nunca um acto de cobardia… quando muito de desespero, em última instância. A vida não é fácil, é feita de momentos, bons e maus, mas qualquer um deles sempre passageiro, para além de que embora não nos pareça tudo tem solução (menos a morte) e porque quando estamos no meio do sofrimento não temos discernimento para encontrar soluções, devemos procurar quem o faça por nós, porque pior que morrer é deixar quem gosta de nós a sofrer para o resto da vida, como tu sofres pelo teu avô. Por isso, amiga, virtualmente enquanto quisermos, na realidade quando precisares… eu estou aqui para te ouvir, mimar e prometo que quando te perguntar se estás bem ficarei o tempo que precises para responder.
    Beijinho

  5. Na realidade nao sei muito bem porque escrevi tudo aquilo. Podia apenas ter deixado umas palavras de coragem e força à cristina, mas a verdade é que é um assunto que nao me deixa indiferente, alias mexe muito comigo, como podes ver… Desculpa se exagerei. Amiga, agradeço-te imenso as tuas palavras, o teu carinho e atenção. Sabes, ha quase dois anos quando abri o meu ticho, não podia sequer imaginar o que iria crescer e as pessoas fantásticas que iria conhecer. A verdade é que encontrei por aqui algumas pessoas, e que algumas já passaram desse lado do ecran para este lado, e que me ajudaram bastante… Obrigada por estares tambem aqui.

    De facto ha coisas que, no nosso dia-a-dia, não damos importancia. Quantas e quantas vezes perguntamos no nosso dia “Estás bem?” ou “como estas?”, e nao queremos ouvir outra coisa senao “está tudo bem”. Sabes, aprendi a observar bastante os outros, e muitas vezes pergunto uma segunda vez “mas a sério, estás mesmo bem?”. Às vezes é mesmo preciso parar e dar tempo as pessoas, pois não há nada mais importante na nossa vida, que as pessoas que nos acompanham… é essa a nossa riqueza. Obrigada por fazeres parte delas, qualquer coisa, estou aqui para ti tambem, querida.

  6. Pessoinha Says:

    Este é um assunto muito delicado. e é complicado aceitar-se e uma pessoa não se culpabilizar pelos “sinais” que não se viram ou não existiram. Mas o pior é que muitas vezes estamos tão ocupados e atarefados na nossa labuta diária que nem paramos para pensar e ouvir com atenção naquele “estou bem”. Quantas vezes isso não é mentira mas porque não queremos preocupar os outros, omitimos a verdade? Quem é que nunca fez isto?
    À Cristina um beijinhom calma e coragem porque a vida é feita de escolhas e o teu amigo oi esta que decidiu. Não te culpabilizes.

    xinhus

  7. Olá!

    Situação delicada. Por isso, fui ao cantinho da Cristina… Creio que não pode haver lugar para a culpa. Vivi, de perto, uma situação análoga. Incompreensível. Improvável. E podemos nós avaliar a decisão tomada? Está fora do nosso alcance perceber. Nada mais resta que aceitar. E viver. E esperar que o tempo resolva…

    Beijinhos

  8. soniapessoa Says:

    Olá Paola, é bom ver-te por aqui. Sim, o tempo acaba por ajudar… atenuar a dor.
    Beijinho

  9. Olá Amiga.
    Sem palavras…. Algumas lágrimas…
    O teu post refere tudo aquilo que pensamos, sempre, nestes momentos. Temos que estar mais atentos… Mais atentos a tudo! Á vida; aos sinais que a vida de cada um que nos é querido vai transmitindo; etc, etc…… principalmente, aprender a ouvir, aprender a estar com, aprender a deixar para trás algumas das coisas que, no nosso dia a dia parecem tão importantes e que em momentos como este nos fazem reflectir o quanto a nossa vida pode ser tão pequenina…. quando existem momentos de lazer, aparece sempre a expressão “tenho que ir”, “não tenho tempo para nada”, “que cansada”, “ai as horas”, etc…. pois bem: é nesse intervalo que temos que transformar a nossa vida! Deixar que não sejam as obrigações a nossa prioridade, mas sim tudo o que podemos fazer sem obrigação!).
    Vou aproveitar o teu cantinho para agradecer aos amigos Armindo, Cátia, Paola e Pessoinha.
    Um beijinho a todos.
    Quanto à Cátia, gostaria muito que pensasse apenas no seguinte: ame-se muito! Goste de si! Certamente tudo se irá tornar mais fácil. Sei que deve estar a pensar “pois mas há momentos em que nada faz sentido”; quando olhamos tudo apenas pelo lado menos bom, é verdade – nada faz sentido; mas quando vivemos e olhamos a vida como um verdadeiro presente que recebemos e que aos poucos aprendemos a gostar cada vez mais?…(uma espécie de jogo que as crianças recebem e com o qual vão aprendendo a jogar…)
    Gostaria de conversar consigo. Mesmo a sério….
    Amiga Sónia: és LINDA!
    Obrigada por tudo (ops! ok! não agradeço).
    O fim de semana fez-me bastante bem… Consigo começar a recordar; já não são só lágrimas – já são algumas lágrimas acompanhadas de taaaaannnntaaaaasss recordações.
    Beijinho muito grande
    CA

    P. S. – também estou e estarei sempre aqui!!!!!

  10. Desculpa… Não me apercebi de tinha escrito tanto…. É que foi monopolizar….
    Beijinho
    CA

  11. soniapessoa Says:

    Cristina, o meu espaço é vosso. Eu só quero saber que estás bem e que saibas que estarei sempre aqui para te ouvir.
    Beijinho

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