Arquivo de Junho 26, 2008

Como nasce o pensamento do dia…

Posted in Pensamento do Dia with tags , , , on Junho 26, 2008 by soniapessoa

A Cristiana, amiga da blogosfera, em conversa comigo, disse-me assim:

– Era bom arranjar uma editora que quisesse editar os teus contos todos, uma colecção…

Ao que eu respondi:

– Isso era o céu, e só assim faria sentido, eles estão interligados.

E fiquei a pensar, que é realmente assim… existe um fio condutor invísivel, que os une, e lhes dá sentido no seu todo. Podem ler-se individualmente, mas como um todo a mensagem que contêm faz todo o sentido.

E assim nasceu o pensamento do dia,

nenhuma história tem um final, apenas um novo princípio.

Ilustrações… a saga continua

Posted in As minhas (vossas) Histórias with tags , , on Junho 26, 2008 by soniapessoa

Já agradeci, dois posts atrás, e continuo a agradecer a amabilidade de cada um de vós. Todas as sugestões são benvindas para levar este projecto a bom porto.

Houve alguém que me perguntou que tipo de ilustrações tenho eu em mente… ora, eu nunca fiz referência a esse pequeno grande pormenor pois acho que, apesar de dever existir um entendimento entre escritor e ilustrador, não queria influenciar, nem criar limites à imaginação, e criação, de quem ilustra.

Mas se ajuda, posso dizer que, dada a natureza das histórias, tinha pensado numa ilustração não tão perfeita como os livros da Anita, nem tão longe da realidade como, por exemplo, os livros do Ruca. Acho que deve ser algo com que as crianças, que vão ler os livros, se identifiquem com as personagens.

Sem criar regras e definir limites, deixo aqui um exemplo de uma imagem que me agrada, mas quero que saibam que estou aberta a novos olhares, diferentes formas de ver, e espero que me conveçam do que é melhor para enriquecer este projecto…rodopio-web.jpg

ilustração retirada de http://aliceprina.wordpress.com/

Abraço forte,

Sónia Pessoa

Há coisas que me incomodam

Posted in Uncategorized with tags , , , on Junho 26, 2008 by soniapessoa

Há poucas coisas que me incomodam. Ou melhor, há poucas coisas que me incomodam tanto como ver o sofrimento de uma criança. Eu moro num rés-do-chão, por isso, e porque ontem estava um calor infernal, permito ao meu mais novo brincar na rua com os amiguinhos, sob a minha atenta vigilância. Vou lá espreitar frequentemente, ou estou sempre de ouvido alerta, controlando cada movimento que possa ser excessivo levado pela excitação da brincadeira.

Ontem à noite, já tinha dado ordem de que estava na hora de regressar às bases, uma das meninas, numa varanda de rés-do-cão, fez uma cambalhota, e não sei bem como, trilhou a garganta no ferro. Os amigos chamaram e fui logo a correr ver o que se passava. Encontrei-a cheia de dores, os olhos rasos de lágrimas, sem conseguir falar e alguma dificuldade em respirar. Levei-a logo à mãe que, sem carro, me pediu se a acompanhava ao hospital. Lá fomos.

O hospital de Braga (e tenho quase a certeza de que em muitos outros) é um daqueles sítios onde sei que me vou irritar facilmente, muito mais do que o aumento da gasolina me irrita… por isso, depois de tirarmos a ficha, à entrada, fiz logo questão de bater à porta da triagem, e, depois de me certificar de que as duas enfermeiras que lá estavam conversavam animadamente, encarreguei-me de explicar que estava ali uma criança aflita. Claro que uma delas foi logo dizendo que tinha que esperar que chamassem. Sou sincera, nestas coisas eu já não dou o benefício da dúvida, apressei-me a sublinhar que era uma criança, estava com dificuldades em respirar e as senhoras não estavam a atender ninguém… A segunda enfermeira mandou-nos entrar com um ar mais simpático que a outra. claro que a primeira, empenhada em manter a minha má impressão sobre o pessoal hospitalar, foi logo dizendo para eu sair, pois estava ali a mãe da menina, ao que eu respondi que só ía dizer o que tinha acontecido, já que não tenho particular interesse em frequentar locais como aquele (o cheiro do éter incomoda-me veementemente!), ao que a delicada senhora disse, sempre sem olhar para mim; “a mãe da menina não sabe falar?”. Respondi: “a mãe da menina não estava presente, mas posso ir-me embora, que tenho filhos em casa á minha espera…” Mais uma vez a segunda enfermeira, a mais agradável, insistiu em que eu ficasse e descrevesse o que tinha acontecido. Descrevi e saí.

Esperei, esperei. Resolvi pedir ao segurança que me deixasse avisar a mãe da menina de que me iria embora, pois, certamente, ela iria demorar e eu não estava ali a fazer nada. Quando entro na urgência, ao fundo do corredor, lá estavam elas sentadas à espera… e a menina continuava sem falar e aflita… Na sala onde iria ser atendida estava um médico, sentado ao computador, com um papel na mão. Chamei pelo Sr. Dr. e disse que estava ali uma menina aflita, ao que me respondeu: “Minha Senhora, só tenho uma mão”… eu insisti e ouvi, por mais duas vezes, “eu só tenho uma mão”, ao que respondi e sublinhei novamente que era uma criança e ele não estava ocupado a ver ninguém…

Foi ali que me apeteceu explicar-lhe que ele não tinha apenas uma mão, mas duas, que a sala estava vazia e a menina era mais importante que qualquer acto burocrático a ser efectuado num computador, que o computador podia certamente esperar pois a menina tinha dores e ele (o computador) não, que se pousasse o papel ficaria com a mão liberta para cumprir o seu dever como médico e cidadão, que é dar assistência a quem precisa, que não ouvi o juramento que fez, quando um dia se formou, mas tenho a certeza que todas as palavras que há-de ter proferido contrariavam aquele comportamento descomprometido, despreocupado e pouco profissional, que se fosse a minha filha que estivesse ali ele a veria no momento, independentemente de ter a mão ocupada ou não e foi quando me apeteceu dar-lhe dois pares de estalos pela sua atitude e a de todos os colegas de profissão que se lhe assemelham… respirei fundo, contei até dez, disse à mãe da menina que protestasse se fosse preciso e me telefonasse caso fosse necessário ir buscá-la.

Ainda agora estou arrependida de não lhe ter dado os dois pares de estalos…

Voltei para casa, irritada, discuti com o meu marido sem ele ter culpa nenhuma, e vociferei durante algum tempo contra este tipo de postura… que numa linha de produção, facilitemos, nos desleixemos e o copo de vidro caia ao chão e se parta, é uma coisa… num hospital não há lugar á rotina, ao desleixo e ao deixa andar… era uma criança, um ser humano que estava aflito!